| Ataques ao Etanol |
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A medida em que fica cada vez mais claro, para um maior número de pessoas, que a era do etanol vai se consolidando seus detratores crescem nos ataques. Primeiro foi o Presidente da Venezuela, Hugo Chaves, com a sua demagogia delirante atacando o Brasil, o seu declarado amigo presidente Lula e o seu declarado inimigo presidente Bush, colocando tudo em um só balaio e advertindo o mundo que a substituição de petróleo por alimentos como seria o caso de etanol a partir do milho nos EUA e da cana de açúcar no Brasil, irão aumentar a fome no mundo com a redução da oferta de alimentos. No caso da Venezuela, a terceira maior produtora de petróleo no mundo e praticamente sem condições de produzir cana até pode se compreender o desatino de um dirigente mal informado em busca de mais um tema para aparecer na mídia internacional. Ao ataque de Chaves segue o do seu ídolo Fidel Castro que há décadas é um comprovado ditador, dado a discursos intermináveis, fazendo o circo para o seu povo já que o pão está difícil. Refazendo-se de uma cirurgia mal feita no país que se ufana de uma medicina de primeiro mundo, o ditador cubano abre a boca para falar sobre o que não sabe. Como disse a jornalista Suely Caldas: “se em vez de se ocupar em desmistificar a propaganda sobre os benefícios dos agrocombustiveis, cuidasse de aumentar o plantio de cana e construir novas usinas de etanol em Cuba, Fidel Castro trabalharia mais em favor do seu povo, gerando empregos, renda, riqueza e divisas e levando aos cubanos os benefícios do progresso da expansão do mercado de agrocombustiveis no mundo”. Cuba é um país que tem terras e clima para plantar cana que já foi uma das riquezas do país. Ficou para trás em tecnologia, mas pode se recuperar em alguns anos se desejar. Mas Fidel prefere desqualificar o programa do etanol pelo simples fato de que o presidente Bush se aproximou do Brasil para firmar um acordo operacional visando desenvolver um programa de substituição parcial da gasolina por etanol. Aliás, programa que o Brasil já prática há décadas, com grande sucesso e é detentor de tecnologia em todas as áreas: agrícola, industrial e da fabricação de carros bicombustíveis. Mas, parece que o programa do etanol está tão forte que novos ataques estão surgindo. Mais recentemente Alberto Tamer nos dá conta de que o senhor Abdalla El Badri, secretário geral da OPEP - Organização dos Paises Produtores de Petróleo, cartel cujos membros são responsáveis pela produção de 40% do petróleo no mundo, colocou a boca no trombone para criticar severamente o etanol, disse ele: “A produção de etanol e outros biocombustíveis será insustentável em médio prazo, pois competem com os alimentos cujos preços estão no maior nível dos últimos trinta anos”. E a seguir em tom de ameaça disse: “Vocês na terão o etanol e não terão um aumento da produção de petróleo. E aí os preços (do petróleo) passarão do teto”. O que estava querendo dizer o ilustre senhor El Badri é que os novos investimentos em prospecção de petróleo estão sendo prejudicados pela perspectiva de perda de parte do mercado para o etanol. Os três ataques acima citados são uma clara demonstração de que o programa brasileiro de etanol está incomodando o que confirma a sua validade. Quanto à produção do etanol reduzir a oferta de alimentos é uma questão superada. O programa brasileiro de etanol irá aumentar a oferta de alimentos e não diminuir. Afora isto, o Brasil exporta 40% dos alimentos que produz e a própria ONU já concluiu que o problema da fome não é por falta de alimentos e sim por falta de renda. O programa brasileiro de etanol é altamente vantajoso para o Brasil em todos os sentidos. Vamos exportar mais etanol, vamos ampliar o nosso mercado externo e contribuir para a redução da poluição e dos gases efeito estufa no mundo e, principalmente vamos gerar mais empregos no Brasil em todas as áreas relacionadas com os agrocombustíveis a começar da própria produção da matéria prima que é a cana de açúcar passando pela indústria metal mecânica que fabrica as indústrias e por um grande número de fornecedores de toda a cadeia produtiva. A primeira reação do pronunciamento do senhor El Badri veio de Claude Mandil, alto funcionário da AIE - Agência Internacional de Energia que lembrou: “O biocumbustível (etanol) terá uma contribuição muito pequena na demanda futura. Mesmo no melhor cenário, haverá uma necessidade dramática de mais petróleo. A OPEP não tem nada a temer”. É verdade. Todos os programas mundiais estão voltados para a substituição de até 20% da gasolina no horizonte de aproximadamente uma década. Mas, nesta mesma década estima-se que a demanda por petróleo irá aumentar em 10 milhões de barris dia. O etanol irá eliminar o uso da gasolina em grande escala. Ele melhora o clima no mundo quando adicionado à gasolina e melhora ainda mais quando os motores podem trabalhar somente com etanol como acontece no Brasil. Antonio de Azevedo Sodré - Presidente da ASSOMOGI Associação dos Produtores de Cana do Vale do Mogi |
