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O Álcool está caro?
Quando falamos que um produto está caro ou barato estamos comparando com alguma coisa. Caro ou barato são conceitos relativos. Nas últimas semanas muito se falou que o preço do álcool estava subindo como de fato ocorreu, mas o noticiário muitas vezes nos leva a pensar que, por ter subido, o preço do álcool está caro. Se você tem um carro bicombustível, sinta-se um dos dois milhões e seiscentos mil brasileiros privilegiados. Você pode usar álcool o ano inteiro fazendo uma grande economia graças à tecnologia brasileira e, se realmente, em algum momento o álcool faltar, no que não acredito, você sempre poderá passar a usar a gasolina, este sim um combustível caro comparado ao álcool. Seria ainda mais cara se não contivesse 23% de álcool.

Vamos admitir uma pessoa que abasteceu o carro com duzentos litros de gasolina em um certo período de tempo em 2.006 e que neste período o preço médio da gasolina foi de R$2,20 e o preço do álcool, neste mesmo período, foi de R$1, 20, (a variação média em 2.006 calculada pela FIPE foi de 56,32%). O motorista que colocou gasolina gastou R$440, 00, neste período de tempo e o que colocou álcool gastou R$240,00, ou seja, economizou R$200,00 no mesmo período.

Admitindo, apenas para efeitos de comparação, que o período tenha sido de um mês o resultado é uma economia anual de R$2.400,00 para quem usou álcool. Sem dúvida um ganho expressivo porque o preço do álcool não está caro quando comparado com a gasolina. Essa economia aplicada no mercado permite, em sete a oito anos, comprar um carro novo. Trata-se de uma economia sem esforço, abstinência ou renúncia. É uma simples opção.

Em janeiro de 2.007 o preço do álcool está 15% maior do que de outubro de 2.006. Entretanto o preço atual de R$1,20 é bem menor do que o preço de abril de 2.006 que foi de R$1,986. Ele é 39,37% menor.

O preço da gasolina na destilaria é definido pela Petrobrás. O preço do álcool é o de mercado, ou seja, durante a safra o preço cai e durante a entre safra ele sobe. O que interessa para nós consumidores é o preço médio do ano. Quando usamos álcool como combustível estamos fazendo economia, afora a contribuição que damos para reduzir a poluição. Se eu fosse você, caro leitor, não estaria preocupado com as notícias de que o preço do álcool está caro. Na verdade ele ainda está barato quando comparado com a gasolina. Vale a pena continuar usando o álcool especialmente enquanto o preço for igual ou menor de 70% a 80% do preço da gasolina, dependendo do motor do seu carro.

Será que a vantagem vai durar? Eu creio que sim, e explico porque: 1º) o preço do petróleo, que determina o da gasolina, encontra-se em patamar que os analistas consideram impossível de ser reduzido a ponto da gasolina ficar mais barata do que o álcool; 2º) a produção de álcool está entregue à iniciativa privada que vem investindo no setor. Em 2.007 entrarão em funcionamento mais 16 novas usinas e em 2.008 mais 34 novas usinas e para os anos seguintes existem 37 projetos de novas usinas. O estoque de álcool no inicio de janeiro de 2.007 era de 4,5 bilhões de litros, portanto maior do que o consumo até abril quando terá inicio a nova safra. Muito embora os carros bicombustível, ou flex estejam na preferência do consumidor, representaram 82% das vendas de 2.006, a oferta de álcool continua crescendo em proporção que permite atender ao crescimento dessa demanda. A exportação será a válvula reguladora. Somente na região centro-sul, foram moídas 371milhões de toneladas de cana de açúcar em 2.006 e a oferta de álcool no mesmo ano aumentou em 10,1% em relação a 2.005.

Há quem admita que as oscilações no preço do álcool poderiam ser menores se houvesse um estoque regulador. Entretanto, este estoque regulador tem um custo e um risco e quem fizer o estoque irá, naturalmente, capturar o lucro da sazonabilidade. Em outras palavras, as variações do preço até poderiam ser menores, mas as margens de ganho do consumidor possivelmente seriam menores. Hoje não há estoque regulador e quem captura a vantagem são as distribuidoras e algumas poucas usinas capitalizadas. Veja, caro leitor, durante a safra, de abril a novembro, o preço do álcool chega a ser 50% do preço da gasolina ou até menos. Isto quer dizer que como consumidores capturamos, durante oito meses, uma grande vantagem. Esta vantagem se reduz para uma diferença de aproximadamente 70%, durante quatro meses, ou seja, na entre safra nos meses de dezembro a março. A grande vantagem obtida por nós consumidores fica menor neste curto período do ano.Entretanto, temos a vantagem plena em dois terços do ano. Não creio que qualquer intermediário que venha a formar o tal estoque regulador não se aproprie de parte da nossa vantagem e com isto estaríamos mais perdendo do que ganhando. A oferta de álcool está crescendo e seguramente irá crescer nos próximos anos. Este crescimento está assegurado tanto pelo aumento de usinas, ou seja, pelo aumento da produção física (capacidade de moagem) como também, pelos avanços tecnológicos obtidos nas novas variedades de cana as quais asseguram maior produtividade.

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Antonio Sodré

Advogado e escritor.