| A Era do Etanol: BR + EUA |
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O Brasil está diante de uma oportunidade histórica. Os EUA precisam de nós e a hora é agora. Eles precisam do etanol, ou seja, do álcool combustível que nós produzimos. Vamos fazer votos para que o nosso governo saiba negociar e muito bem esta oportunidade comercial. Trata-se de um produto, o etanol, que já está sendo vendido por empresas privadas brasileiras para empresas privadas americanas, mas ambos os governos precisam adotar medidas que permitam a expansão do negócio em bases seguras. Eles precisam de garantia de fornecimento e nós de garantia de acesso ao mercado em prazos que permitam amortizar os investimentos. Estamos diante da possibilidade de dar inicio à era do etanol. Atendendo aos princípios de reduzir a poluição no planeta terra o etanol é a maior contribuição real e efetiva do homem no sentido de substituir combustíveis fósseis por fontes renováveis em larga escala de maneira ecológica e financeiramente viável. Representa uma contribuição positiva na direção da preservação do meio ambiente. O Brasil produz etanol a partir da cana de açúcar e detêm a melhor tecnologia do mundo nesta área. Os EUA produzem etanol, hoje, quase que exclusivamente a partir do milho a um custo muito superior ao nosso. A PRODUÇÃO BRASILEIRA Na safra recém encerrada (2006/2007) o Brasil produziu 475,7 milhões de toneladas (Mt) de cana de açúcar, uma produção aproximadamente 10% maior do que a safra anterior (2005/2006) e para tanto ocupou com a cultura 6,19 milhões de hectares (Mha), ou sejam, aproximadamente 3,1 Mha de cana para produzir álcool e o restante destinado a produzir açúcar. Com este volume de cana produziu 17 bilhões de litros (B/l) de álcool, tendo destinado ao mercado interno 14,2 B/l e exportado 2,8 B/l. O Brasil tem reais possibilidades de expandir as áreas para plantio de cana visando o mercado externo especialmente se considerarmos que temos 220 Mha de pastagens, muitas delas ainda com baixa produtividade (0,3 UA/ha/ano). Portanto, temos condições de ampliar a nossa área de produção de cana de açúcar, respeitando o meio ambiente, sem avançar em áreas de outras culturas, de forma programada e consciente e acima de tudo, sob condições contratuais bem definidas. OS GRANDES NÚMEROS Apenas para exemplificar, se utilizarmos 5% da área hoje ocupada com pastagens estaríamos acrescentando mais 11 Mha de área para cultivo da cana de açúcar. O total da área destinada ao cultivo da cana passaria então para 17,9 Mha o que representa 1,5% do território nacional (850Mha), em tese 4,84% da área total agricultável do país (370Mha) e 8,13% da área ocupada com pastagens (220Mha). Isto é importante entender, pois, para alguns, a expansão da cultura de cana dar-se-ia sobre áreas de florestas o que comprovadamente não é verdade. Outros argumentam que estaríamos transformando o país em um imenso canavial quando, na verdade, admitindo estar totalmente implantado um projeto desta envergadura estaria ocupando apenas 1,5% do território nacional e gerando 3.300.000 novos empregos diretos. Conhecendo os números é que se vê a realidade. Admitindo que este acréscimo seja exclusivamente para a produção de álcool, mantida a produtividade média obtida na última safra de 5,483 B/l para cada 1Mha, teríamos uma produção adicional de etanol de 60,3B/l/ano. Com este volume de produção adicional poderíamos atender não só o mercado americano como outros mercados. A recente visita do Presidente Bush ao Brasil permitiu dar divulgação mundial á solução etanol. Foi um passo a mais na direção das bases da era etanol. Agora, é preciso estabelecer um padrão para o produto etanol o que já está encaminhado e o Congresso Americano votar o projeto que está em tramitação visando permitir o ingresso de etanol nos EUA em condições competitivas com a gasolina, ou seja, estabelecer um horizonte seguro para os exportadores brasileiros e, também, para os importadores e distribuidores norte americanos. É preciso que se estabeleçam regras claras e bem definidas para que a oferta cresça na proporção necessária para atender a demanda projetada. O PROGRAMA AMERICANO Os EUA iniciaram, há pouco mais de cinco anos, um programa arrojado de produção de etanol usando como matéria prima o milho. O programa vem sendo um sucesso à base de pesados subsídios. A meta inicialmente programada foi a de alcançar, em 2.015, uma produção anual de 50 B/l de etanol. Para tanto já existem 110 usinas em funcionamento e mais 60 estão em construção. Embora sejam relativamente poucos já existem mais de 1.000 postos de combustível do centro e meio oeste dos EUA vendendo o E85 que é o combustível com 85% de etanol e 15% de gasolina, ou seja, um combustível menos poluente e que substitui o petróleo parcialmente. O E85 está sendo muito bem aceito pelo consumidor americano. Entretanto, são muito poucas as regiões onde se encontra o E85. Na costa leste, por exemplo, não há nenhum posto vendendo etanol muito embora várias distribuidoras já estejam acrescentando na gasolina 10% de etanol para melhorar a octanagem. A meta norte americana é a de reduzir o consumo de gasolina em 20% substituindo por etanol. Entretanto, há problemas pela frente. Quando iniciou o seu programa de etanol como combustível em substituição parcial da gasolina menos de 6% do milho produzido nos EUA era destinado à produção de etanol e no ano passado foram usados mais de 20% do milho produzido e isto está gerando uma distorção. Com menor oferta de milho para o mercado o preço subiu. Como a área plantada de milho está crescendo a de soja está diminuindo. Os EUA não têm como expandir a sua área agrícola. Ela já está delimitada a décadas. Subindo o preço dos componentes das rações (milho e soja) fatalmente subirão os preços do leite, das carnes bovinas e suínas e das aves (frangos e perus) afetando os índices de inflação. Desta constatação surgiu uma oportunidade. A OPORTUNIDADE Brasil e EUA juntos produzem e consomem, hoje, aproximadamente 70% de todo o álcool (etanol) do mundo, ou sejam, 35 B/l/ano para uma produção mundial de 50 B/l/ano. Os EUA consomem aproximadamente 530B/l/ano de gasolina. A meta por eles pretendida é a de substituir 20% da gasolina por etanol. Para isto irão precisar de 106B/l/ano de etanol. Na melhor das hipóteses, com grandes subsídios, eles chegarão a produzir, em 2.015, um total estimado em 50B/l/ano, portanto faltam pelo menos 56B/l/ano para completar a meta. Por outro lado, há um outro projeto do governo americano apresentado ao Congresso que pretende ampliar o consumo do etanol nos EUA para 35B/G/ano, ou sejam 132,5B/l/ano até 2.017 o que ampliaria ainda mais o mercado. Atualmente eles consomem 20B/l/ano. Aí começa a grande oportunidade do Brasil, ou seja, os EUA já estão sinalizando que estão dispostos a abrir o mercado para outros fornecedores de fora a partir da constatação de que precisam de mais etanol do que podem produzir internamente dentro das tecnologias hoje disponíveis. Não devemos imaginar que, por causa disso, eles irão abandonar a proteção dada aos seus produtores, apenas que desejam um fornecimento adicional para completar a sua meta e para isto estão nos procurando para fazer um negócio. É assim que devemos ver a questão. Recentemente, o governo americano se convenceu de que uma parceria Brasil + EUA, no que diz respeito ao etanol a partir da cana, poderá provocar uma grande mudança para melhor em ambos os paises e muito mais, poderão incluir na parceria outros paises da América Latina. Se Brasil e EUA se unirem neste projeto realmente poderão promover uma grande expansão na produção e consumo do etanol para substituir parcialmente o petróleo. Os EUA têm o mercado e recursos financeiros o Brasil tem terras, clima e tecnologia, esta última tanto na área agrícola como na industrial. Da união de ambos os paises poderá surgir uma revolução na matriz energética mundial com uma significativa contribuição para melhoria do meio ambiente. Esta união poderá criar condições para, em um determinado período de tempo, possivelmente uma década, a produção mundial de etanol alcançar o patamar de mais de 200 B/l/ano (hoje é de 50B/l/ano) quando, então estaremos reduzindo significativamente os gases de efeito estufa e muito especialmente, reduzindo a dependência do petróleo ou, como preferem alguns, alongando as reservas. REFLEXOS POSITIVOS Por outro lado, é inequívoco que um programa desta envergadura irá proporcionar ao Brasil a geração muito rápida de milhões de empregos de qualidade tanto na indústria sucro-alcooleira como na metal-mecânica e principalmente na agricultura, desde engenheiros até o trabalhador rural. Caso seja viabilizado o programa trará, como conseqüência natural, maior renda e melhores condições de vida para uma grande parcela da nossa população. Se for implantado trará um impacto forte no crescimento do país. A ampliação do uso do etanol em substituição parcial ao uso da gasolina traz vantagens para o meio ambiente, é um projeto ecologicamente correto. Antonio de Azevedo Sodré, advogado, produtor rural, Presidente da ASSOMOGI -Associação de Produtores de Cana do Vale do Mogi. |
