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A RIQUEZA DO ETANOL
Nos últimos meses o etanol foi para as primeiras páginas dos jornais e ganhou evidência nos noticiários de rádio e televisão, ou seja, ganhou espaço na mídia brasileira e internacional. De um lado de forma positiva mostrando o nosso presidente de braços dados com o presidente norte americano aproveitando a onda favorável da noticia de que o mundo encontrou uma fórmula para começar a diminuir efetivamente a emissão de gases que causam o efeito estufa. De outro lado detratores como Fidel e Chaves com dor de cotovelo e uns pouco avisados brasileiros por verem que realmente desta união já saiu algo concreto que irá revolucionar o mundo e que permitirá ao governo Lula um segundo mandato vitorioso mesmo que o PAC não ande muito bem o que não desejamos.

A realidade é que a era do etanol já começou e não é de hoje. O Brasil está muito na frente de outros países, inclusive dos EUA, na produção de etanol. Esta liderança vem dos tempos em que houve uma crise internacional do petróleo e empresários brasileiros liderados por um produtor rural e usineiro, Cícero Junqueira Franco, venderam a idéia ao governo brasileiro de criar o PROALCOOL. De certa forma tudo o que temos hoje em tecnologia praticamente começou com esta iniciativa que teve seu inicio na década de 70.

Foi a partir da idéia de que poderíamos produzir o combustível para mover nossos carros independentemente do petróleo é que tudo começou. A indústria automobilística passou a desenvolver tecnologia do motor a álcool, as usinas passaram a produzir álcool combustível em larga escala, os centros de pesquisa receberam recursos para desenvolverem variedades de cana mais produtivas, a indústria metal mecânica cresceu para atender a nova demanda. Acontece que o preço do petróleo, naquela ocasião, caiu para a faixa de US$10 o barril e a falta de uma política de governo de longo prazo fez com que o imediatismo suspendesse o programa.

Hoje a realidade é diferente. Há uma percepção internacional de que não temos mais petróleo para manter o nível de consumo atual por muito tempo. Ele é um recurso finito, não renovável, mas o que é mais importante: hoje temos uma consciência mundial de que não podemos mais continuar emitindo gases com efeito estufa, pois estamos estragando o clima do nosso planeta. É lógico que para diminuir esta atitude suicida várias medidas precisam ser tomadas. Uma delas é a decisão do governo norte americano de substituir gradualmente a gasolina derivada do petróleo por combustível renovável e significativamente menos poluente, ou seja, pelo etanol. O programa teve inicio há mais de cinco anos e sob vários aspectos é um sucesso. A produção de etanol nos EUA foi quintuplicada em 5 anos, o governo colocou uma barreira tarifária de 44% para proteger o produtor norte americano, os distribuidores de combustível aderiram ao programa, e o mais importante, o consumidor aceitou o produto denominado E85 que é composto de 85% de etanol e 15% de gasolina. Tudo parecia uma maravilha quando eles se deram conta de que o etanol produzido a partir do milho tinha grandes limitações. O preço do milho disparou. Com uma ajudazinha do nosso ex-ministro e também produtor rural Roberto Rodrigues, eles se convenceram que precisavam do Brasil para completar a sua produção. A meta dos EUA é de substituir 20% da gasolina por etanol até 2.017. Isto representa 132,5 bilhões de litros de etanol por ano. Hoje, eles são os maiores produtores do mundo e produziram em 2.006 apenas 17 bilhões de litros e nós somos o segundo maior produtor e produzimos 16,5 bilhões de litros. Praticamente, toda a nossa produção foi destinada ao mercado interno que só vem crescendo com a produção dos carros bi-combustível o mais procurado pelo brasileiro. E este aumento de consumo do álcool em substituição à gasolina tem dado uma contribuição inestimável para a redução da poluição em nosso país especialmente nos principais centros urbanos.

É ai que começa a nova era do etanol. A partir da constatação do maior mercado consumidor do mundo de que o único país em condições de suprir esta demanda é o Brasil. É claro que não apenas os EUA estão interessados na nossa tecnologia da produção de etanol a partir da cana de açúcar. Japão e Itália saíram na frente, mas praticamente todos os paises da Europa estão estudando a utilização do etanol brasileiro. Os próprios norte americanos já importaram em 2.006, via Caribe, mais de 2 bilhões de litros do nosso etanol. Com a safra que acaba de se iniciar (abril/07) deveremos produzir aproximadamente 18 a 19 bilhões de litros de álcool, volume que assegura amplamente o nosso abastecimento e deve gerar excedentes para exportação. Com as novas usinas entrando em produção deveremos alcançar, na safra 2.010/2.011, uma produção em torno de 25 bilhões de litros de álcool. Aí então estaremos produzindo etanol em larga escala para a exportação. Como disse o economista Eduardo Carvalho: o etanol de cana de açúcar é, no presente, o melhor combustível que o dinheiro pode comprar neste século XXI.



Antonio Sodré, advogado, produtor rural, Presidente da ASSOMOGI-Associação de Produtores de Cana do Vale do Mogi.
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