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Recentemente esteve nos visitando o engenheiro agrônomo Mauro Benedini coordenador responsável pelas associações de produtores de cana associadas ao CTC Centro de Tecnologia Canavieira, o mais importante centro tecnológico de cana de açúcar do mundo. Um centro de referência internacional. Ele veio apresentar aos associados da ASSOMOGI o Programa de Muda Sadia que será também implantado em nossa região.
O Programa Muda Sadia visa implantar, em bases seguras, novas variedades que serão o futuro dos nossos canaviais. Em síntese, antes de liberar uma nova variedade o CTC faz vários experimentos que levam anos e anos, em geral dez anos. Há uma fase em que a variedade já está provada nos ensaios do CTC, mas que é válido e oportuno que sejam testadas nas diferentes regiões onde serão multiplicadas, ou seja, em campos dos próprios produtores. Hoje a ASSOMOGI já tem associados com canteiros onde se encontram, em fase de testes, todas as variedades desenvolvidas pelo CTC. O Programa Muda Sadia é um passo à frente. Mesmo antes da liberação para todos os associados o CTC está disponibilizando aos associados mediante determinadas condições, variedades em fase de experimentação. Assim, quando a variedade estiver disponível comercialmente, os produtores da nossa região já conhecerão aquelas que mais se adaptaram ao nosso clima nas diversas condições de solo.
Para os produtores é importante utilizar as variedades mais produtiva para a sua propriedade, pois isto é um fator que irá contribuir decisivamente no resultado econômico, ou seja, na sua renda. Um canavial nunca é formado com uma única variedade.
Durante a visita do Engº Agrônomo Mauro Benedini algumas dicas importantes foram transmitidas: i) a variedade precoce que se mantêm despontando é a RB 5156, mas há que se ter um cuidado muito especial, pois só pode ser plantada com muda nova com 8 a 9 meses, depois disto à implantação do canavial corre risco; ii) entre as novas variedades de ciclo médio estão as CTC 8 e CTC 2 e entre as variedades tardias a CTC 6; iii) a conclusão de um recente estudo do IAC de que a colheita em solos fracos dever ocorrer nos meses de Julho e Agosto para se obter melhor produtividade é, no entender dele, uma realidade; iv) variedades precoces como a CTC 9 rendem mais quando a colheita é feita em meses secos; v) no seu entender os melhores resultados de adubação no plantio são aqueles que usam na cova somente super-simples completando o N e o K seis meses após em cobertura; vi) a variedade SP 7515 é a que tem dado melhores resultados em nossa região nos ambientes C e D; vii) o raquitismo, por ser uma praga invisível, só identificada em laboratório, deve merecer uma atenção especial em nossa região, pois ela pode reduzir significativamente a renda do produtor de cana.
Mesmo aos produtores remunerados no regime CONSECANA, que são a grande maioria em todo o Estado de São Paulo e que, hoje, estão envolvidos no ATR relativo, é importante conhecer e observar a variedade que está sendo plantada, pois os resultados, de uma forma ou outra, acabarão influenciando na renda final do proprietário da terra em um ciclo de cinco ou seis anos.
Não só na escolha das variedades corretas está o sucesso na implantação de um canavial, é preciso que se atente para todos os detalhes técnicos e que haja um planejamento integrado visando desde a análise muito bem feita do solo, passando pelo despraguejamento e preparação da terra corrigindo o ph, até o plantio de forma correta. A boa implantação de um canavial é fator decisivo na sua rentabilidade. Um canavial bem implantado e bem cuidado permitirá seis e eventualmente, sete colheitas o que representa um incremento na renda do produtor da ordem de 25%.
Antonio Sodré, advogado, produtor rural, Presidente da ASSOMOGI - Associação dos Produtores de Cana do Vale do Mogi.
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