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A oportunidade do Etanol
“Você faz a sua vida avançar utilizando as possibilidades criativas daquele momento preciso que você está vivendo”,
Epiteto – filosofo (55 d.c. - 155 d.c.)
A civilização humana está iniciando uma nova era. A percepção correta dos fatos nos faz lembrar o que disse o filosofo greco-romano Epiteto quando nos deixou o ensinamento de que você faz a sua vida avançar utilizando as possibilidades criativas daquele momento. Isto vale não só para a vida pessoal dos indivíduos como também para a vida das nações. A lição vista no sentido amplo é a de que o progresso se faz com o uso da criatividade diante das situações que se apresentam.
A vida do ser humano na terra vem tendo uma evolução crescente. Nos últimos cem anos o consumo de energia cresceu muito e nas últimas cinco décadas vem crescendo exponencialmente. A base desse crescimento foi e continua sendo o combustível fóssil e especialmente o petróleo.
Na última década a consciência do estrago que o combustível fóssil faz ao meio ambiente saiu do círculo acadêmico para ganhar espaço junto às parcelas mais esclarecidas da população e nos últimos cinco anos ganhou a simpatia de uma grande parte dos habitantes do planeta.
A imperiosa necessidade de substituirmos os combustíveis fósseis passou a ser prioridade entre os principais governantes dos países desenvolvidos.
Dentre as alternativas que se apresentam para esta substituição, ou melhor, dizendo, de adequação da matriz energética mundial, o etanol da cana de açúcar é inquestionavelmente a melhor.
Trata-se de uma liderança fruto de trinta anos de pesquisa e desenvolvimento de nossas tecnologias. Mais da metade da nossa frota de veículos leves é atualmente movida a etanol a custos mais baixos do que a gasolina e poluindo muito menos.
Toda esta oferta vem da iniciativa privada com capital nacional. Só recentemente começaram a ingressar recursos externos no setor. Não há dúvidas que os investimentos estrangeiros virão cada vez em maior número tanto para implantar novas unidades de produção como para adquirir participação ou controle nas unidades existentes.
Mantidas as condições atuais da economia mundial podemos admitir que não faltarão recursos para a expansão continuada da oferta brasileira de etanol de cana.
Do lado da demanda o panorama atual, em síntese, é o seguinte: i) há uma demanda potencial muito grande tanto nacional como internacional; ii) transformar esta demanda potencial em uma realidade não depende apenas da iniciativa privada; iii) nos ajustes entre a demanda potencial e a oferta teremos momentos de altos e baixos.
Os governos tanto federais como estaduais, podem agir buscando o equilíbrio do mercado especialmente reduzindo barreiras tributárias que inibem o consumo como, por exemplo, a excessiva taxação de ICMS sobre o etanol.
Por seu lado o governo federal pode formular uma política publica que ajude a viabilizar a logística de transporte, o consumo do álcool tanto anidro como hidratado o estabelecimento de estoques reguladores, o treinamento de mão de obra, a padronização do produto, etc. Sabidamente algumas destas medidas estão em curso e outras ainda estão no labirinto da máquina burocrática.
Com o nível atual do preço do barril de petróleo o etanol pode ser vendido o ano todo com preços comparativos menores do que a gasolina. É uma vantagem para o consumidor que o governo federal pode assegurar por meio de políticas públicas bem definidas. O preço mais baixo contribui para reduzir a inflação e a substituição da gasolina pelo etanol ajuda o meio ambiente.
No que diz respeito à demanda externa a nossa diplomacia está trabalhando. Não existem grandes avanços, mas a lógica aponta na direção positiva. As grandes potências ainda estão defendendo a tese da auto suficiência no etanol. Os EUA com o etanol de milho e a CE no etanol da beterraba. Ambos tem um custo superior ao etanol da cana de açúcar e baixa eficiência no balanço energético. Além disto, não há como, nem os EUA nem a CE, alcançarem as metas propostas pelos seus próprios governos, de substituição de combustíveis fósseis por biocombustíveis, somente com as matérias primas: milho e beterraba.
A impossibilidade é física. Não há terras agricultáveis disponíveis nem nos EUA e nem na CE para o volume necessário de etanol. É lógico que ainda é possível o crescimento vertical, ou seja, aumentar a produtividade por hectare, entretanto também aqui há fortes limitações.
Em recente trabalho M.S. Jank(OESP 04-07-07) lembra que “ é preciso insistir nas vantagens comparativas de produtividade, custo e balanços energético e ambiental do etanol de cana em relação ao milho e a beterraba”, referindo-se às necessidades de divulgarmos melhor a nossa solução do etanol de cana.
Estamos diante de uma grande questão política. Os números demonstram claramente que o etanol da cana é a solução mais correta. Entretanto, os países da CE e os EUA insistem na tese de obterem a auto-suficiência energética e estão andando na contra-mão da lógica ao imporem barreiras ao etanol da cana ao mesmo tempo em que deixam entrar livremente a gasolina e o petróleo.
É possível que a questão do meio ambiente seja a fonte da pressão mais forte que venha a nos ajudar a tornar efetiva a demanda potencial.
A triangulação comercial não é invenção nossa, pois já era conhecida e praticada pelos fenícios. Hoje, para exportar etanol para os EUA temos que primeiro passar pelo Caribe. É a forma de se obter uma redução tarifaria para o ingresso nos EUA.
A era do etanol está se abrindo para a humanidade e precisamos de estadistas que compreendam a dimensão correta da solução disponível e permitam à civilização humana avançar utilizando as possibilidades criativas do momento atual como ensinou o filósofo Epiteto há quase dois mil anos atrás.
O mundo tem hoje a possibilidade real de adicionar etanol à gasolina em até 25% com a tecnologia disponível e, assim reduzir sensivelmente a emissão de gases poluentes causadores do efeito estufa.
Na seqüência teremos o etanol produzido a partir da celulose o que se espera deverá ocorrer em uma década e irá acrescentar valor à nossa produção de cana de açúcar.
Quando obtivermos tecnologia para substituir todo o etanol combustível, o que se espera para aproximadamente três décadas, provavelmente, pela via do hidrogênio, a indústria química nacional estará absorvendo o nosso etanol da cana para substituir os derivados do petróleo.
Antonio Azevedo Sodré, advogado, produtor rural, Presidente da ASSOMOGI – Associação dos Produtores de Cana do Vale do Mogi.
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