A Era do Etanol – 2.030
A era do etanol já é uma realidade inegável. Vamos fazer um exercício de futurologia para examinar a possível contribuição do etanol nas próximas décadas até 2.030.
Existem duas grandes variáveis determinantes no exame desta perspectiva futura do etanol: a questão estratégica do petróleo e a questão do meio ambiente.
Quanto à questão estratégica do petróleo o único substituto da gasolina comercialmente viável hoje existente é o etanol. Este é um fato incontestável. Na há na linha do horizonte das pesquisas, a médio prazo, nenhum outro produto ou tecnologia que possa vir a substituir o etanol para mover carros leves nas próximas duas a três décadas. O avanço tecnológico mais próximo é o próprio etanol produzido a partir da celulose fato que fortalecerá ainda mais o nosso etanol.
Além disto, olhando para 2.030, podemos prever que a redução do consumo de petróleo que já é para os EUA, uma questão de segurança nacional irá se agravar. Há uma forte determinação, nos EUA, de substituir 20% da demanda de gasolina por etanol quer na mistura tipo E85 (85% de etanol e 15% de gasolina) orgulho americano e em pleno uso no meio oeste americano, quer adicionando até 10% de etanol à gasolina percentual que não exige alterações nos motores. Para a EU está determinado que até 2.010 haverá adição de 5,7% de etanol à gasolina e, segundo a Comissária para a Agricultura da EU, Mariann Fischer Boel, a EU terá que importar 30% do consumo projetado. No Japão será compulsória a adição de 10% do etanol à gasolina também a partir de 2.010, e na China, em cinco províncias, já estão misturando etanol à gasolina na proporção de 10%. Somente nos quatro exemplos acima citados a demanda irá crescer em 11,563 bilhões de galões de etanol/ano, ou sejam, 44 bilhões de litros ano. O consumo mundial de etanol atualmente é de 50 bilhões de litros e corresponde a apenas 2,6% do mercado de gasolina. Em 2.020 estima-se que a produção chegará a mais de 200 bilhões de litros, representando perto de 10% do consumo de gasolina no mundo, devendo aumentar ainda mais até 2.030 seguindo os passos do petróleo mesmo com o desenvolvimento de novas tecnologias. Para atender esta demanda o Brasil está se preparando por meio da sua iniciativa privada que está trabalhando e ampliando a oferta. Os negócios vão se desenvolvendo embora em ritmo muito inferior à demanda potencial.
Cabe aos governos diante desta realidade concreta estabelecer políticas públicas sem demagogia e com visão de longo prazo, que permitam regular tanto a proteção ao meio ambiente como a ampliação da oferta de alimentos de um lado e do outro a desobstrução dos canais de comercialização visando à exportação, bem como investir na infra-estrutura especialmente em transporte e nos portos. Neste aspecto a Petrobrás está dando uma contribuição positiva com investimentos em álcool dutos e nas parcerias para exportação. Mas, ainda estamos carentes de um plano global para o setor de biocombustíveis.
O etanol brasileiro a partir da cana de açúcar é competitivo no mercado mundial, o seu custo fica entre US$25 a 30 por barril (159 litros) equivalente de petróleo, enquanto nos EUA o etanol produzido a partir do milho custa US%52 por barril e, na EU, o etanol produzido a partir da beterraba custa US$ 55 por barril (tipo Brent).
A crescente demanda por energia, fará com que o consumo cresça cerca de 50% até 2.020 conforme prevê o relatório da CIA sobre as tendências globais e o petróleo será o carro chefe deste crescimento puxando o etanol a reboque. Na recente ( maio 07 ) reunião da ONU, em Bankoc, um relatório técnico ( do IPCC ) sobre o meio ambiente e aquecimento global foi recomendado o uso dos biocombustíveis como uma das mais importantes ações no sentido de reduzir a tendência do aquecimento global. O relatório também aponta que a matriz energética mundial deve ser mudada de forma a que as fontes renováveis de energia, que hoje representam 18%, devem passar a representar de 30 a 35% até 2.030.
A verdade é que o etanol é um bom negócio comercialmente falando enquanto o petróleo estiver com preços acima de US$25 a 30 o barril. A previsão para 2.030, é de preços do petróleo acima de US$70 e alguns deles prevêem acima de US$80 ou mais, o que assegura rentabilidade para o etanol da cana com larga margem.
A outra vertente para analisarmos o futuro do etanol no Brasil é a questão ambiental. Está cientificamente provado que o etanol é no mínimo 25% menos poluente do que a gasolina. Alem disto, o gás CO2 emitido pela queima de qualquer combustível é reabsorvido por fotossíntese pela cana tornando no mínimo neutro os seus efeitos. Portanto, o uso do etanol como aditivo à gasolina é um passo adiante na direção da redução do efeito estufa, do aquecimento global. Por outro lado, a produção de cana de açúcar feita com respeito às técnicas agrícolas protege o solo contra a erosão, melhorando a sua conservação. O etanol é um combustível limpo que contribui para a melhoria do meio ambiente.
A troca de gasolina por etanol em qualquer porcentagem é sempre a substituição de um combustível fóssil não renovável mais poluente por energia proveniente da biomassa menos poluente. A produção de etanol hoje, no Brasil, é feita com o total aproveitamento dos resíduos, tanto da vinhaça que volta para a terra como adubo como do bagaço usado para gerar energia elétrica. Assim, a produção de cana bem conduzida, quer seja na lavoura como na indústria ao transformar a matéria prima cana em açúcar e álcool, é uma produção ecologicamente correta que traz benefícios à humanidade especialmente ao produzir um combustível mais barato e menos poluente. A projeção do futuro do etanol para 2.030 é francamente favorável.
Antonio de Azevedo Sodré, advogado, Presidente da
ASSOMOGI - Associação de Produtores de Cana do Vale do Mogi.
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