Home
Quem somos
Diretoria
Benefícios Associados
Galeria
Parcerias
Business Center
Notícias
Jornal
Links úteis
Contato
 
 

Clima Tempo

CANA X ALIMENTO
Ao contrário do que muitos pensam a ampliação da área de cana no Brasil não vai reduzir a produção de alimentos e sim vai aumentar e explicamos porque.

Tanto na implantação de um canavial, como na sua obrigatória renovação aproximadamente a cada cinco anos, é imprescindível que se plante uma leguminosa e no caso, as preferidas têm sido: soja, amendoim e feijão.

Segundo estudos da FAO o Brasil produz 40% mais alimentos do que consome, daí decorrem as exportações do setor agrícola. Como é sabido o problema da fome no Brasil não é da falta de alimentos e sim da falta de renda para comprá-los e, já há alguns anos o problema vem sendo relativamente minimizado por programas sociais, muito embora, a nosso ver, ainda faltem ajustes e melhorias na condução destes programas sociais.

A ampliação da área de cana de açúcar irá contribuir para a ampliação da produção de alimentos, mais especificamente: soja, amendoim e feijão.

Nesta questão da produção de alimentos x cana o Prof. Marcos Sawaya Jank ( FEA-USP) lembra que “é também fundamental trazer maior consistência cientifica para o debate sobre o crescimento da cana de açúcar e seus impactos econômicos, energéticos, ambientais e sociais”.

Há muita desinformação neste tema. Na verdade a expansão da cana de açúcar no Brasil se dá sobre áreas de pastagens geralmente de baixa produtividade. Diferentemente de outros paises, especialmente os EUA e os paises europeus, que não tem mais fronteiras agrícolas para expandir, nós temos possibilidade de expansão sobre pastagens ociosas ou com baixa produtividade. Para os citados paises o plantio de qualquer agrocombustível sempre se fará ocupando área de outro produto agrícola.

Nós temos 220M ha de pastagens e é sobre elas, essencialmente, que o plantio da cana de açúcar vêm se expandindo.

Segundo o IBGE (2.005) o Brasil possuiria 340M de terras agricultáveis. A cana de açúcar, na última safra 06/07, ocupou 6,2M ha, ou seja, apenas 1,85% do total de terras agricultáveis.

Segundo Denizart Bolonhesi Et Alli (2.007) pesquisador da APTA, resultados de pesquisa indicam aumento de 26 t de cana por ha quando se cultiva uma leguminosa antes do plantio. Esta prática, que aumenta a produtividade e, conseqüentemente a receita do produtor, protege o solo contra as intempéries climáticas, mantém e aumenta a diversidade biológica do solo e também contribui para a redução de pragas e doenças na cana.

Atualmente, o plantio de alimentos sobre áreas de cana por ocasião das reformas dos canaviais é uma prática corrente entre os agricultores, mas deve ser estimulada pelos governos via normas de crédito bancário. É um dos papéis do estado induzir a produção, estimular o produtor inclusive pela via do crédito. Se os governos adotarem este procedimento o produtor rural estará ainda mais estimulado a plantação de alimentos nas áreas de implantação e reforma de canaviais.

Foi estimada em um milhão de hectares a área de renovação de canaviais no Brasil (Denizart Bolonhezi et alli-2.007).

A ampliação do consumo de agrocombustiveis é inexorável. Ela já está sendo exercida por pressão dos consumidores em todo o mundo tanto pelo aspecto ambiental, em razão da crescente consciência ecológica, como por razões econômicas como é o caso do Brasil onde é mais barato encher o tanque do carro com álcool (etanol) do que com gasolina. Também os governos são fonte de pressão de demanda de agrocombustíveis quer por razões de segurança, quer por razões políticas de atender os anseios de seus eleitores especialmente no que tange ao respeito ao meio ambiente quando buscam substituir combustíveis fósseis por combustíveis renováveis.

A conjugação destas pressões sobre a demanda vai fazer com que os agrocombustíveis, tenham uma produção cada vez maior nos próximos anos. O carro chefe deste crescimento é o etanol. Entretanto, fortes lobbies dos paises desenvolvidos farão pressões para que também o álcool produzido do milho, da colsa e da beterraba encontrem o seu espaço. Todos eles são mais caros do que o álcool da cana de açúcar, menos eficientes, mas terão o seu papel nesta nova era.

O importante para o Brasil é produzir álcool com respeito aos trabalhadores, ao meio ambiente, ampliando paulatinamente a colheita mecânica o que corresponde a quase zerar a queima da palhada tão logo isto seja viável, social e tecnicamente, e tudo isto já está sendo praticado por muitos produtores tanto na indústria como na agricultura e pode ser plenamente obtido através do bom entendimento entre governo e produtores rurais.



Antonio de Azevedo Sodré, advogado, Produtor Rural, Presidente da ASSOMOGI - Associação dos Produtores de Cana do Vale do Mogi
.


Copyright © 2011 Assomogi. Todos os direitos reservados.